Conflito de Gênero – Menino? Não, Menina! Parte 08

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Passei os três primeiros anos da faculdade tentando ser o que eu nunca havia sido, mesmo num ambiente propicio a diversidade. Lá todos aceitavam opções diferentes de gênero e eu não estava aproveitando aquele momento de liberdade de opção. No inicio do quarto ano arrumei um estágio em um grande escritório de arquitetura na mesma cidade de minha faculdade. E esse estágio me ajudou demais pois ocupava meu tempo com coisas positivas. O melhor era que os proprietários eram um casal gay e aceitavam todo o tipo de diversidade de gênero, raça e social. Mesmo heterossexuais eram aceitos desde que não tivessem preconceitos. Com o fim de meu casamento, e com o sofrimento que eu sentia para cumprir uma promessa impossível eu estava triste como nunca e minha mãe percebeu e ficou muito preocupada. Por muitas vezes tentou saber o que eu tinha, mas eu respondia que estava tudo bem pois não queria preocupa-la. Todavia eu via a angustia em seu rosto por não conseguir me ajudar. Até que um dia ela chegou até mim e decidida e disse: -Seu pai já faleceu há três anos e não está mais aqui para te julgar e eu sou sua mãe e também não vou te julgar também. Você tem que ser feliz e ser quem você quiser ser para encontrar essa felicidade. Não importa quem você seja, eu sempre serei sua mãe, sempre vou te amar e te apoiar.
Aquelas palavras me fizeram chorar instantaneamente pois ela mostrou saber qual era meu problema. Desse modo pude me abri e falar e lhe contei todo meu sofrimento e tudo o que sentia. Evidentemente omiti toda a parte sexual da história e só lhe contei o drama de me sentir quem eu não era e a parte dos assédios. Ouvindo toda minha história ela disse que entendia agora todo o sofrimento que eu havia passado e porque eu estava tão triste. E me disse que se eu tivesse assumido antes para ela, ela teria convencido até meu pai a aceitar-me como eu era e muito sofrimento teria sido evitado, mas como não podíamos voltar no tempo o importante era eu ser feliz daquele momento em diante. E que eu fosse dentro e fora de casa quem eu quisesse ser. Se quisesse ser sua filha eu seria sua filha e se eu quisesse que ela me chamasse de Bruna ela me chamaria assim. Aquele foi o maior alivio de minha vida, ser aceto por minha mãe. Combinamos que eu iria fazer a transformação gradual para não chocar meus amigos na faculdade e nem no trabalho, se bem que eles não se chocariam com isso. Os vizinhos já fofocavam entre si desconfiados e eu assumir somente iria clarear a situação. Alguns pararam de falar comigo, mas a maioria me aceitou. Na faculdade eu disse antecipadamente aos amigos mais próximos que eu tinha tomado uma decisão importante e expliquei o que era e todos aceitaram na boa. No trabalho foi ainda mais fácil após eu conversar com meus chefes, eles chamaram a todos que trabalhavam ali e pediram que respeitassem minha transformação, se bem que eu acho que todos iriam aceitar mesmo sem essa conversa.

A única mudança radical naquele primeiro momento foi eu pedir a todos que me chamassem de Bruna.
Com o dinheiro que eu ganhava no estagio e com o apoio financeiro de minha mãe, fiz meu novo guarda-roupa. Para usar em casa, vestidos, saias, camisolas e lingeries. Para usar na rua, faculdade e escritório, roupas unissex. Em casa virei logo a Bruna o tempo todo e estava mais feliz que nunca. Em público eu ia vagarosamente feminizando minha aparência principalmente nas roupas pois no corpo não tinha quase mais nada para feminizar. Somente o cabelo mais longo, com corte mais feminino e desenhar a sobrancelha. Toda essa transformação levou 6 meses e foi só no primeiro dia de aula do segundo semestre que me apresentei totalmente feminina a todos. No estágio com saia, blusa e salto alto. Tudo bem feminino. Na faculdade com o vestido floral e também de salto, bem mais casual. Foram tantos elogios naquele dia que eu não resisti e chorei de felicidade contando tudo a minha mãe. Daqui para frente volto a me tratar na forma feminina, pois era o que eu era naquele instante e desta vez nuca mais haveria retorno.
Com a idade eu tinha abandonado aquele gosto por roupas e lingeries adolescentes para começar a gostar de outras mais convenientes a idade. Ainda nada supersexy, mas todas sensuais e com apelo sexy. Eu estava sendo a mulher que sempre quis ser, nada apelativo, apenas descolada. Além de tudo isso de bom estar acontecendo em minha vida naquele momento, algo mais ocorreu. Foi transferida para minha classe uma outra “menina” como eu e nos tornamos ótimas amigas e ela me ajudou muito nessa transformação naqueles seis meses. Mas ela tinha muito mais informações que eu sobre mudança de gênero. Eu já tinha ouvido alguma coisa sobre hormônios e cirurgia, mas nunca fui muito atrás pois fiquei aqueles três anos anteriores tentando ser homem. Ela me dizia que só não tinha feito nada ainda pois não tinha dinheiro para isso, mas quando tivesse iria correndo fazer. E com o passar do tempo ela foi me convencendo a procurar uma médica conhecida que faria todos os exames em mim e me ajudaria a me tornar ainda mais feminina.
Eu ainda não estava pronta para um relacionamento e resistia às cantadas que levava. Algo tinha mudado. Agora não era aquele assédio preconceituoso contra um “bixinha”, mas cantadas levadas como uma mulher. Evidentemente ainda sofria assédios indesejados, mas não tão graves como no passado e eles não me incomodavam mais tanto. Meu maior temor era que agora os homens estavam se interessando pela mulher que eu era e se eu cedesse eu temia qual seria a reação deles quando descobrissem a verdade. Eu tinha ainda que esperar algum tempo até me acostumar com a nova situação. E de tanto que minha “amiga” insistiu, no inicio do quarto ano da faculdade, marquei hora para uma consulta com a médica indicada por ela e pedi a minha mãe que fosse comigo. Tínhamos ficado ainda mais próximas depois dela me aceitar e após minha transformação. Agora ela tinha uma filha e nossa cumplicidade só aumentou.
No dia marcado fomos a medica que ...


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