De pai adotivo a cafetão... O inicio

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Todos os acontecimentos aqui são veredicos

Na cozinha, fazia algum tempo que os livros esparramados em cima da mesa já não eram o foco principal da minha atenção, e sim a conversa entre meu pai e meu tio na sala:

– A Clarinha tá marcando duro em cima de mim, Mauro! Agora mesmo, quando disse que tava vindo aqui ela ficou cismada... E ainda me deu hora pra estar de volta. Vê se pode!

– Caralho, Marcão!... Tá pior do que a mamãe quando a gente era criança! [risos] – Mas daqui a pouco passa...

– E isso não é nada!... Desde aquele dia, nada de foder! A filha da puta não dá pra mim, mas provoca o tempo todo! Só de pensar naqueles shortinhos dela que só faltam rasgar de tão apertados!... Olha como eu fico!

– Aí é difícil, mano!... E você se acabando na punheta!... Como se eu não te conhecesse! [risos]

– É foda, não é não? Meu pau já tá é esfolado de tanta bronha! Me sinto como quando tinha a idade do Danilo!

– Aqui tá do mesmo jeito! A Odete não me deixa nem dormir na cama! Também, quem mandou a gente descer do carro daquela gostosa bem na frente do mercadinho da Aurora, e o que é pior, caindo de bêbados? [risos]... Seria querer demais que elas não fizessem nada!

– Nem fala! [risos]... Aquela velha fofoqueira da Dona Aurora! Não se aguentou e correu ligar lá pra casa. Quando eu cheguei... Vish! O temporal já tava desabando... Ô calorão, Mauro! Tem uma gelada aí não?

– Boa ideia! – Ô Danilo! Traz mais uma gelada aqui pra gente, filho!

– Tô indo pai! […]

– Aqui!

– Valeu, filho!

– E as provas, Dan? Muita dificuldade? Se precisar de uma ajudinha, sabe que pode contar comigo!

– Valeu tio... acho que vou precisar sim, mas prova mesmo só lá pra semana que vem...

– Melhor ainda... Dá pra estudar legal.

– Bom... vou voltar pra cozinha. Pai, a mamãe saiu cedo. Você sabe se ela vai demorar? Ela ficou de trazer umas cisas da cidade pra mim...

– Ih, filhão. Do jeito que ela tá virada... [risos] – Ela saiu sem nem me falar onde ia... Tá uma fera! [risos]

– Papai... vocês também deram o maior mole!... Bom, vou voltar pros livros.

[...]

Eles eram frequentadores assíduos do boteco do seu Joaquim, na esquina de casa. Esse boteco ficava aberto até uma certa hora, e depois que fechava, apenas os “mais chegados”, como eles mesmos falavam, permaneciam jogando e bebendo até de madrugada. Mas dessa vez, parece que apareceu por lá uma vagabundinha qualquer e... Bom, acho que nem preciso falar o que isso rendeu pra eles. Um “temporal” na casa do meu tio e a “geleira” pro meu pai. Diferente da minha tia Clara, que berrava feito uma doida quando brigava com o tio Marcos, minha mãe apenas fazia questão de deixar bem claro, sem nem ao menos erguer a voz, que não o queria o meu pai por perto. Apesar disso, e de mantê-lo dormindo na sala, até que a “poeira abaixasse”, era uma mulher apaixonada – pelo menos eu pensava que era. Eu, no seu lugar, também seria. Meu pai, um mulato escuro, corpulento, 38 anos, cabeça raspada, 1,89 metros e um corpo com tudo em cima, braços e pernas peludos - a não ser pela barriguinha de cerveja – o que, na minha opinião, lhe empresta um charme irresistível. Ele parece muito com o ator Terry Crews (do seriado “Todo Mundo Odeia o Cris). O que mais me chamava atenção no papai era o sorriso de cafajeste. O conjunto daqueles lábios carnudos e os dentes muito bem cuidados, emoldurado por um cavanhaque muito bem desenhado, há muito tempo havia despertado em mim mais do que admiração pelo pai que ele era. Esse sentimento me acompanhou desde o início da puberdade, quando comecei a sentir atração pelos homens, principalmente os que tinham características semelhantes às do meu pai. Rememorando isso, concordo que possa parecer absurdo o fato de um garoto recém-entrado na puberdade sentir desejo por homens maduros, mas me lembro bem que não eu tinha qualquer interesse em meninos da minha faixa etária, nem mesmo naqueles que eram apenas dois ou três anos mais velhos que eu. Esse sentimento, porém, determinou fortemente como eu seria, e principalmente, do que eu gostaria em matéria de sexo: Homens! E de preferência, os maduros. Meu tio Marcos é uma cópia fiel do meu pai, porém de pele mais clara, e a barba sempre por fazer. Usava o cabelo um pouco mais cheio, e os fios grisalhos eram um charme a parte. Três anos mais novo, tinha a mesma altura e o corpo tão forte quanto papai. Era formado em administração e nessa época trabalhava num escritório com importação e exportação, ou seja, era comum eu ver o meu tio vestido com roupa social, o que deixava ele mais e mais tesudo, e, junto com o meu pai, era o personagem preferido das minhas punhetinhas. Eu sou filho único, adotado na verdade. Fui entregue à minha mãe por uma amiga de infância que engravidou de um amigo de seu pai, um homem mais velho, vindo a falecer quando eu completei três meses de vida. Como essa amiga da mamãe morava numa cidade do interior, ela veio pra capital pedir a ajuda, e minha avó e mãe eram as únicas que sabiam da verdadeira história. Eles nunca esconderam a minha origem, mas não gostavam de falar sobre o meu pai verdadeiro. Diziam apenas que ele sumiu depois que ficou sabendo da gravidez da minha mãe e que nunca mais dera nenhuma notícia. Sou branco, magro e com olhos verdes – a diferença é bem gritante. Cresci bem consciente da minha origem,

e também despido de todo e qualquer tipo de preconceito, por isso, desde cedo, nunca tive problemas aceitar a minha homossexualidade. Contudo, sempre fui reservado e procurava não demonstrar isso, pois não sabia como eles reagiriam ao saber. Na época em que essa história começa, eu tinha acabado de completar dezoito anos, e desde cedo, sempre fui mais próximo do meu pai do que da minha mãe. Até os meus doze anos, ele sempre me deu banho, e foram nesses banhos que eu senti despertar em mim a curiosidade sobre o que envolve o universo masculino, principalmente no que se diz respeito ao sexo. Admirava o seu corpo – apesar de ser “chegado” numa “gelada” também era adepto do futebol com os amigos nos fins de semana – as pernas e coxas grossas e cobertas de pêlos, aliás, seu corpo inteiro, porém eles são mais abundantes na região abaixo do umbigo e nos genitais. Nas pernas e braços apenas o necessário para levar qualquer um que é fissurado em homem peludo – ainda mais um mulataço daqueles – a desejá-lo. Eu me lembro de ficar vidrado no tamanho do cacetão do meu pai. As bolas imensas que pendiam do seu saco cheio de pêlos negros emprestavam à sua genitália um ar de monumento escultural. Parecia que havia sido esculpido à parte. Ele achava graça da minha cara de espanto diante da “trozoba” que pendia do meio de suas pernas, e me falava que quando eu crescesse teria um pau tão grande quando o dele. Com o passar dos anos, porém, esses banhos foram ficando cada vez mais escassos, até que já não aconteciam mais...

Nesse devaneio, quase me esqueci dos livros e só “voltei a mim” quando vi meu pai e meu tio parados na minha frente:

– Dan! Danilo!... Ô muleque!

– Ânh! Ah!...

– Volta pra Terra, Dan! – era meu tio – Tá pensando em buceta, seu safado?

“Ô decepção...!”

– Tava concentrado tentando memorizar esse ponto do texto! Nem vi vocês entrarem aqui.

[risos]

– Filho – meu pai, abrindo mais uma garrafa de cerveja pra eles – a gente tá pensando em ir até Guararema pra uma pescaria. Topa?

– Oba! É claro que eu topo!... Quanto tempo que a gente não vai pescar, né pai?

– Pois é filho! E hoje seu tio falou e bateu aquela vontade de estar naquele lugarzinho gostoso, no meio do mato... assar os peixes na fogueira... acampar!

– E quando a gente vai?

– Vamos amanhã de manhã e voltamos na segunda feira. Isso se não resolvermos esticar um pouquinho mais – respondeu meu tio – afinal, não é sempre que eu to de férias e ainda por cima, com dinheiro no bolso!

– Só se for você, mano, porque eu to duro quenem rola de tarado!

– Bom, duro eu não to não, mas tarado, sempre!... – disse meu tio, me encarando com ar de gozação.

– Ih!... Sai pra lá mané!... [risos]

– É conversa, Marcão! – disse o papai – Ainda tenho um saldo do rolo que eu fiz no meu carro e o do Milton. Dá pra gente aproveitar legal.

– Mas e a mãe e a tia? Ainda mais agora que a barra de vocês tá mais suja que banheiro público...

– Sem problemas, filho! Elas odeiam mato... Depois, pior que tá, não fica!

– Bom, vou indo lá, garotos. Ainda tenho que ir no banco e passar no mercadão pra comprar cerveja.

– Certo Marcão, e não esquece os repelentes. – Meu pai falou e abriu a carteira, passando um dinheiro pras mãos do meu tio. – Ah, e vamos no meu carro. Não vou deixar a patroa motorizada. Já que ela dá uma de difícil...

[risos]...

Por volta das seis horas, minha mãe chegou em casa. Ela não gostou nada da idéia da pescaria, e depois que meu pai explicou tudo, ela simplesmente virou pra ele e disse que tava indo dormir na casa da minha vó. Eu ainda tentei argumentar que ficaria de olho no papai, mas não teve jeito. Ela subiu e em menos de uma hora, já estava de volta à sala, onde me deu um abraço e um beijo carinhoso e saiu, falando pro papai:

– Cuidado com o Danilo!

Depois que ela saiu, ele disse:

– Filhão! Pensa dez vezes antes de se casar. Ô bicho complicado que é a mulher, cara!

Papai sempre me procurava pra conversar quando se desentendia com a minha mãe, mesmo eu sendo um garoto inexperiente de quinze anos. Isso demonstrava o quanto ele confiava em mim, confiança esse que eu conquistei com muita discrição, guardando segredo das altas horas da madrugada em que eu flagrava ele chegando, na pontinha dos pés.

– Pai, tenta compreender o lado dela. Se fosse ao contrário, garanto que o senhor não ia fazer diferente! Ou melhor, faria sim. Faria um escândalo daqueles!

[risos]

– Aí é diferente, filho! O homem tem dessas coisas mesmo. É instinto! Vê carne nova, fresquinha, aí quer fincar o espeto mesmo! Mas com a mulher a coisa muda de figura! Mas quer saber, da tua mãe eu não esperaria isso, não. Ainda mais que... – Ele parou de falar e me olhou, meio desconcertado.

– Fala pai! Ainda mais o que?

– É complicado, Danilo! Eu não sei se devo falar sobre isso com você, filho. Com certeza você vai dizer que eu sou um otário, além de mentiroso e...

– Relaxa pai! Desde quando o senhor não pode se abrir comigo? Ele foi até a cozinha e voltou trazendo um balde de gelo com algumas garrafas de cerveja.

– Hoje você vai beber comigo, filho! Mas é um segredo nosso, ok?

– Tá certo, paizão! Mas... essa não é a primeira vez que eu bebo cerveja!...

– Safadinho! O que mais você já andou aprontando, hein, seu sem vergonha? [risos]

Ele se sentou ...


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