História de uma Prostituta – 5

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Caro(a) Leitor(a)!

Se você deseja ler um conto cheio de pornografia ou erotismo, onde todo mundo come todo mundo, por favor, procure os outros inúmeros autores ou meus textos já publicados.

A história que continuo contando aborda o que pode acontecer com as mulheres que, por variadas razões, passam a exercer a profissão mais antiga da história da humanidade. A prostituição sempre despertou curiosidade sobre a vida das mulheres que a praticam e um grande e generalizado preconceito escorado na hipocrisia humana. A pornografia e o erotismo surgirão em decorrência das próprias histórias de Rose, uma prostituta, hoje minha mulher.



5. Um cliente especial

O dia seguinte amanheceu muito frio. Como era do seu hábito e lembrando do provável cliente que afirmara que viria cedo, Rose chegou um pouco antes das dez horas. Colocou um maiô inteiriço, bem cavado nas coxas para que os clientes pudessem logo observá-las, e um casacão vermelho desabotoado para protegê-la do frio intenso. Como o apartamento não dispunha de campainha para não constranger os vizinhos, ouviu batidas na porta. Olhou para o relógio e eram exatamente dez horas. O homem era bem pontual, pensou ela. Como uma forma de segurança, ainda que não muito garantida, costumava abrir apenas uma brecha na porta para o primeiro contato visual com o novo cliente. Era um homem alto, magro e de cabelos grisalhos, indicando ser uns vinte anos mais velho do que ela. Enquanto se cumprimentavam, olhou-a nos olhos e depois de alto a baixo, numa nítida tentativa de ver seu corpo. Rose convidou-o a entrar e deixou o casacão abrir propositalmente. Os olhos do cliente se fixaram nas suas coxas e ela teve certeza de que estavam gostando do que viam. Perguntou então, para sua surpresa, se o seu nome verdadeiro era Rose. Diante do seu espanto, ele contou que, sem saber o porquê, procurara no enorme guia telefônico existente antes da era do celular e conseguira encontrar o número para o qual ligara para ela. Confirmou que sim e se identificou como Nando, dizendo ser o apelido de Fernando, seu nome verdadeiro. Rose comentou com ele o fato interessante de que pela primeira vez um cliente se interessara em saber seu nome real antes de conhecê-la. Passou a observá-lo com mais interesse e sua aparência e maneira de falar lhe agradaram. Estabeleceu-se a partir daí uma conversa agradável, cada um contando o resumo de sua vida. Rose falou sobre o filho que lhe causava tanta preocupação e sobre um processo na Justiça, que estava para ser julgado em breve, em que ela era acusada de não ter cumprido um contrato no qual haviam falsificado sua assinatura. Por sua vez, Nando revelou que era casado, mas considerava o seu casamento em fase de desgaste irreversível, pois até as relações sexuais eram raras e forçadas por ele. Dormiam, inclusive, em dependências separadas. Depois os dois foram para o quarto, fizeram as preliminares, quando Rose mostrou sua capacidade de dar prazer no sexo oral e na masturbação. Perguntou, então, em que posição ele gostaria de possuí-la. Ele não teve dúvidas em pedir que ela ficasse de quatro para poder apreciar a sua tão elogiada bunda. Enquanto introduzia lentamente seu pênis, que ela achou muito gostoso, Nando disse que a primeira penetração numa mulher correspondia à entrada em um templo desconhecido, que tanto poderia levar o homem aos céus do prazer quanto conduzi-lo ao inferno da decepção. Diferente da maioria dos homens que gozavam logo, ele demorou muito tempo dentro dela, afirmando que a sensação era que a vagina dela era quente, apertada e profunda, parecendo abraçar firmemente seu pau. Após gozar, deitou do lado de Rose para descansar e disse ter certeza que a sua escolha para fazer um programa fora perfeita e que ele gostaria de voltar outras vezes. Terminada a relação sexual e já vestidos, continuaram a conversar sobre suas vidas, enquanto Nando saboreava um cigarro sem pressa. Assim que ela recolocou o telefone no gancho, as ligações de homens em busca de sexo não pararam, confirmando o que ela comentara sobre a quantidade de clientes que recebia diariamente. Ele ficou admirado, dizendo entender perfeitamente bem o que sentiam os homens ao conhecê-la como ser humano e a satisfação sexual ao transar com ela. Antes de sair, Nando garantiu que o caso na Justiça seria favorável a ela. Na despedida, de uma forma carinhosa e verdadeira ela o convidou a retornar e teve certeza de que ele voltaria.

Nando passou a procurar Rose uma ou duas vezes por semana. O conhecimento entre ambos foi

se aprofundando a cada contato. Conversavam muito, trocando conselhos e experiências de vida. Algo acontecia entre eles que os tornavam pessoas especiais uma para a outra. Uma simpatia mútua. Uma carência afetiva comum. Uma atração recíproca. Mas, à medida que o tempo foi passando, eles perceberam que estavam começando a se envolver emocionalmente. E a certeza disso aconteceu numa oportunidade em que, logo após eles terminarem o encontro, um novo cliente bateu à porta e Rose disse que já lhe atenderia. Pediu, então, que Nando terminasse de se arrumar no outro quarto, enquanto ela receberia o cliente e o conduziria para onde eles tinham acabado de transar. Curioso, Nando deixou a porta semiaberta e, pela primeira vez, viu um homem ao vivo que em breve estaria transando com Rose. Apesar de saber que isso acontecia muitas vezes por dia, até então os clientes dela eram pessoas que ele não via, como se fossem fantasmas desconhecidos. Agora não, ele estava vendo em carne e osso alguém que usufruiria do corpo de Rose, que ele gostaria que fosse só seu, desfrutando de sua atenção e dos carinhos sexuais. Descobriu que sentia muito ciúmes dela, acima do que pensava, comprovando que seu sentimento por Rose era mais profundo do que imaginava.

Quanto a Rose, ela sentia que, se não reagisse, seria capaz de se apaixonar por Nando. Achava que ele sentia o mesmo, mas também tinha medo desse sentimento. Afinal, tinha esposa, filhos do primeiro casamento e netos e uma grande diferença de idade em relação a ela. Exatos vinte e seis anos. Lembrou que uma vez ele comentou com ela que se estivesse sozinho e desimpedido, não existiria problema em se apaixonar por ela, mesmo sendo uma mulher de programa e de assumir esse sentimento, desde que fosse correspondido. Falou, e com razão, que o grande problema seria enfrentar o seu próprio preconceito e os da sociedade, da família e dos amigos e o medo de saber o tratamento preconceituoso que seria dado a Rose. Falou, ainda, que não tinha certeza se teria coragem de tomar uma decisão tão difícil e complexa. Rose, por sua vez, sabia que se envolver com um homem casado poderia lhe trazer muitos aborrecimentos, além da certeza de ter de ficar aguardando por uma decisão que poucos homens têm a coragem de tomar. Se acontecesse um caso de amor entre eles, o normal seria ela ficar esperando e ele empurrando o problema para frente, sempre na expectativa de chegar o momento ideal para decidir. Como acontece com a maioria dos homens em situação semelhante.

Um dia, ainda que tentando falar em tom de brincadeira, Rose perguntou a Nando se ele casaria com ela. Apanhado de surpresa e ainda não conhecendo o atributo dela de levar a sério tudo que lhe dissessem, ele resolveu também responder em tom de brincadeira, dizendo que iria apresentá-la a um irmão solteiro, em véspera de se aposentar, que gostaria de casar só para deixar a pensão para alguém e não para o governo. Ela acreditou que era isso que Nando realmente pensava, interpretando a proposta como uma forma de tirar o corpo fora passando a ter certeza de que ele jamais se casaria com ela. Conforme conversaram depois, ele disse ter respondido com uma simples brincadeira – apesar de ser verdade o caso do seu irmão – como uma forma de ganhar tempo para dar uma resposta pensada e definitiva. A interpretação equivocada sobre o que ambos disseram e pensaram fez com que deixassem de acontecer fatos que poderiam ter conduzido suas vidas para caminhos completamente diferentes do que viria a acontecer. Mesmo continuando a considerar Nando uma pessoa especial, Rose tirou da cabeça qualquer possibilidade de se apaixonar por ele, colocando uma barreira para que seus sentimentos jamais evoluíssem além do nível em que se encontravam. Ela tinha que se conformar que era uma simples prostituta. Nando sentiu a sua mudança de comportamento e de repente não a procurou, talvez para se afastar dela ou para dar tempo ao tempo e ver até que ponto ela era importante na sua vida. Mas, duas semanas depois, não aguentou a saudade e ligou para Rose para marcar um programa para o dia seguinte. Ela ficou muito contente, pois ele já se tornara um de seus clientes preferenciais, gostando de ouvir Nando dizer que não conseguia ficar longe dela. Da sua vozinha gostosa. Do seu ombro amigo. Das longas conversas. Da troca de carências. Do ser humano que cada vez mais admirava. Mas, sempre que chegava, dizia ver ...


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