O vizinho do apê 2

Loading

Olá galera, aqui é a Isadora para mais um conto. Hoje a protagonista é uma pessoa inédita nos meus contos, a Tatiana. Mas antes de ler esse, peço a você que leia o conto “O Vizinho” antes, para que entenda o que será escrito. Aliás, quem começou a me contar foi a Ana, que é a protagonista do primeiro conto, mas depois ouvi a mesma história da própria Tatiana. Coloco aqui uma parte contada pela Ana e depois o que a Tatiana me contou.

Ana

Oi Isa, aqui é a Ana. Então, depois que nós mudamos, nos dia 5 de junho, acabei não vendo mais o João, e isso me deixou chateada. Porém, no dia 9 de junho, uma sexta-feira, precisei voltar no prédio para entregar algumas chaves ao síndico. E eu fui logo após o almoço.
Quando entrei no prédio, vi uma moça, de óculos escuros, um pouco mais alta que eu, de pele branca e cabelo castanho parada na porta do elevador. Entrei com ela e nos cumprimentamos com um “oi”. Apertei o andar do síndico e vi que ela apertou o botão “8”. Subimos em silêncio. Desci e ela continuou no elevador.
Depois que entreguei as chaves e voltei para a porta do elevador, logo que ela abre, eis que a mesma moça estava descendo também. Nos cumprimentamos novamente e ela brincou sobre a coincidência de nos vermos novamente. Eu ri e ela perguntou o meu nome. Respondi e fiz a mesma pergunta, descobrindo que o nome dela é Tatiana. Perguntando se eu morava no prédio, respondi que não mais, que tinha saído a pouco de lá.
Ao chegarmos no térreo e sairmos do prédio, ela apenas levou uma sacola até uma lixeira e deu meia volta para entrar novamente. Eu disse tchau a ela, porém ela me perguntou se eu estava indo embora. Respondi que sim e ela me convidou para entrar um pouco, caso eu estivesse sem pressa. Como eu não tinha nada para fazer, aceitei.
Fomos até o oitavo andar e entramos no apartamento dela, que era bem parecido com o que eu morava, porém muito mais bonito. Os móveis eram todos planejados, era bem decorado. Totalmente o contrário do nosso, que foi tudo no improviso.
Conversamos bastante e ela me contou várias coisas sobre a vida dela. Por exemplo, descobri que ela tinha 32 anos, que foi casada durante 6 anos, mas que tinham se separado havia 1 ano e meio “mais ou menos”, segundo ela. Me disse que tinha sido traída e isso fez com que eu contasse sobre os meus pais. Percebi na conversa que ela era muito inteligente. Era independente financeiramente, formada, trabalhava numa multinacional.
Quando percebeu que o papo estava ficando desanimado, ela mudou de assunto e me perguntou sobre o prédio, com quem eu morava, qual apartamento, o motivo de ter me mudado, etc. Contei que éramos apenas eu e a minha mãe, e que o nosso apartamento ficava no 12º andar.
Depois de citar o número do apartamento, ela deu um sorriso e disse: você morava do lado do Pedro? Eu então fiquei um pouco constrangida, pois não sabia se eles eram amigos ou não, e respondi que sim. Que na verdade eram os avós que moravam ali e que ele chegou depois.
Ela então deu um sorriso “safadinho” e me perguntou se ele nunca tinha dado em cima de mim. Aquilo me pegou muito de surpresa e eu rapidamente disse que não. Ela insistiu mais duas vezes e eu novamente falei que não. Que até tínhamos conversado um pouco, mas quase não o via e ele sempre estava muito sério. Ela concordou com isso.
Perguntei o motivo de ela ter feito aquela pergunta, e ela disse que o João Pedro tinha um jeitinho de quem dava em cima de todas as meninas. Quando perguntei se ele tinha dado em cima dela, ela quis desconversar. Insisti e falei para ela não ser chata, se perguntou para mim eu poderia perguntar para ela também. Então vi ela ficar vermelha de vergonha e disse que ele tinha dado em cima sim. E então ela contou a história dela.

Tatiana

Oi Isadora. Você pediu para eu contar sobre o que a Ana te contou a respeito do João Pedro. Pois bem, gostei muito da Ana e me senti confortável para contar à ela algo que eu estava precisando mesmo desabafar. Me sentia mal pelo que rolou, mas depois de conversar com sua amiga, ela me ajudou a chegar à conclusão de que não fiz nada de ruim.
Moro no prédio a 8 anos. Mudei com o meu marido logo que nos casamos. Tudo foi montado do jeito que nós queríamos e eu estava muito feliz. E foi tudo bem durante cinco anos, até que ele começou a ficar muito esquisito comigo. Frio. Não demorou muito para que eu começasse a desconfiar que ele aprontava algo.
Logo depois que completamos 6 anos de casados, peguei ele no

flagra com a secretária, pois ele é advogado e ficava mais tarde analisando processos, mesmo eu insistindo para que ele trouxesse para casa. Aquilo acabou comigo e eu não quis mais saber. Desde o começo falei que nunca suportaria traição. Ele acabou saindo de casa. Aconteceu isso em fevereiro de 2016.
Fiquei muito triste e me sentia completamente sozinha. Por isso decidi me afundar no trabalho. Sou engenheira ambiental e fazia questão de pegar todos os trabalhos que aparecia, assim ficava pouco tempo em casa. Nesses outros lugares até conhecia alguns homens, mas não rolava nada, eu sentia um certo bloqueio, não conseguia me aproximar.
E assim passou todo o ano de 2016. Quando chegou em dezembro, eu estava extremamente cansada e frustrada, sentia que a minha vida tinha virado em um nada. Eu só trabalhava e ficava em casa nos raríssimos dias de folga. Como minha família mora longe, eu os via apenas uma vez por ano. Decidi ir visitar meus pais e passar o final de ano com a família.
Voltando para casa em janeiro de 2017, já me sentia muito melhor. Consegui desabafar com a minha mãe e recebi todo o carinho dela, do meu pai e dos meus irmãos. Porém, apesar de mais feliz (ou menos triste), comecei a ficar carente. Tinha 31 anos, ou seja, era jovem e ainda tinha, e tenho muita energia. Recebia cantadas e me sentia bem com isso, mas desde a separação não tinha rolado nada.
Na terceira semana de fevereiro, eu estava voltando do trabalho quando, ao entrar no elevador, vi um rapaz parado dentro. Cabelo enroladinho, pele branca, pouco mais baixo que eu. Quando eu disse “oi” e ele levantou a cabeça para me cumprimentar, me surpreendi com os olhos dele. Um tom de azul muito bonito. Ele então deu um sorriso e retribuiu o cumprimento.
Desci no meu andar e ele continuou. Quando entrei em casa, a primeira coisa que falei em voz alta foi: é novinho, mas é bem gatinho. Dei risada sozinha, pois eu não costumava nem falar essas coisas. Era a carência que falava por mim. No dia seguinte novamente encontrei ele e conversamos um pouco, ele me disse o nome dele e eu o meu. Como o elevador era rápido não dava muito tempo de conversar.
Depois da terceira conversa seguida, sempre no elevador, quando ele perguntou se eu era solteira, e eu disse que sim. Confesso que fiquei pensando no garoto, e, mesmo no trabalho, ficava esperando a hora de voltar para casa e achar ele no elevador. Porém, uns 3 dias seguidos eu não o vi.
Na primeira semana de março, ao encontrá-lo novamente no elevador, perguntei se ele era solteiro e ele disse que sim. Não aguentando de curiosidade, perguntei também com quem ele morava e ele disse que vivia sozinho. Não acreditei muito, mas só respondi com um “entendi”. Quando a porta abriu para eu descer, perguntei a idade e só deu tempo de ouvir ele dizer “dezoito”, antes da porta fechar.
Aquilo me pegou muito de surpresa, eu sabia que ele era novo, mas nem tanto assim. E fiquei um tanto desapontada e até me critiquei por ficar pensando num garoto tão novo. Mas mesmo assim comecei a pensar mais nele ainda. O sorriso, os olhos, aqueles cabelos encaracolados. A voz. Tudo. Eu sabia que era exagero e que meu corpo é quem estava comandando, mas foi isso que aconteceu.
Na sexta, dia 10 de março, quando encontrei ele novamente, voltamos a conversar e arrisquei. Decidi permanecer no elevador e ver qual era o apartamento dele. Ao chegarmos no 12º ele desceu e eu desci junto. Falei que queria saber onde ele morava e ele me convidou para entrar. Eu recusei e disse que tinha que voltar para o meu apartamento.
Quando fomos nos despedir ele chegou perto, me abraçou e falou no meu ouvido: você é muito linda. Agradeci e voltei para o apartamento. Foi aí que pensei mais ainda nele, principalmente no cheiro e no que eu pude sentir com as mãos. Eu estava realmente afim dele, mesmo que minha razão dissesse que era burrice.
Ficamos uma semana sem nos vermos, até que na sexta (17) nós conversamos e mais uma vez ele me abraçou forte e mais uma vez me fez um elogio. Dessa vez eu acabei retribuindo, dizendo que ele era um gatinho. Mas um certo desânimo bateu quando, no dia seguinte, a noite, vejo ele entrando com uma menina, também super novinha. Ele me cumprimentou e ela também. Pensei que ali tinha acabado a nossa conversa.
Mas, na segunda, 20 de março, ao encontrá-lo novamente no elevador, ele pediu meu telefone. Quando questionei se a namorada não ficaria brava, ele disse que era solteiro e eu perguntei da menina. Ele então me disse que era só amiga. Claro que eu não acreditei, mas ele era livre, eu não poderia fazer nada. Durante a semana ele mandava ...


Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]