VONTADE DE ANDAR A CAVALO

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Fui passar o fim de semana no sítio da Márcia uma amiga minha. Sexta-feira já estávamos lá. Eu o pai dela e ela. A mãe dela não quis ir porque tinha que ir pra casa da mãe dela, a avó da Márcia.

O Sr. Gustavo é um cara estranho. Ele é Veterinário e igualzinho ao meu pai quase não para em casa também.

O sítio deles é bem grande. Bonito, cheio de árvores, tem piscina, cavalos, vacas, pomar é muito lindo. Chegamos, tomamos banho, jantamos e fomos para o quarto ver televisão. Estava frio e nublado na Sexta-feira. Quando foi lá pelas 10hs da noite o pai dela bateu na porta do quarto entrou e falou pra Márcia: – Filha, amanhã eu vou sair cedinho porque um dos bois da fazenda do prefeito precisa de cuidados. Talvez eu só volte a noite…tudo bem?. A Márcia um pouco triste respondeu: – Tudo né pai, fazer o que? Eu a Cinthia se viramos aqui! E ele continuou: – Os empregados estarão aqui. Caso vocês precisem de alguma coisa peçam para um deles. Boa noite pra vocês!

Fechou a porta e saiu. A Márcia começou a reclamar dele pra mim e eu acabei falando também dos meus pais. Ela percebeu que éramos quase iguais, tipo quem sente a falta dos pais. Quando contei sobre o meu pai ela ficou horrorizada: – Me desculpa amiga, mas se você acha que seu pai não te dá atenção imagina o meu que trabalha em Brasília, é assessor de político, ganha bem, ajuda nas falcatruas e tauz e vem em casa uma vez ou outra. Minha mãe vive largada. Tá louco viu!

Ela respondeu: – Mas a culpa é dessa gente que vota! Se as pessoas lutassem para que o Voto deixa-se de ser obrigatório queria ver esses políticos se elegerem fácil! O país tá assim por culpa da maioria que não tem informação e deixa rolar solto. Seu pai é só mais um! Quantos tão por ai levando o dinheiro do povo que passa fome e nescessidade? Culpa deles? Nãaãaõoooooo….culpa dessa gente que vota e acha que está certa!

Naquela noite fomos dormir tristes e não falamos mais nisso. No dia seguinte acordamos, tomamos café e saímos para dar uma volta. O Sol tinha saído mas ainda estava meio friozinho. Vesti um moleton e tênis e a Márcia calça jeans, agasalho e tênis também. Fomos caminhando pelo sítio até onde fica o pomar. A Márcia me falou que nessa época tem muita mexerica lá. No caminho encontramos com uns 3 empregados do sítio e um deles falou pra ela que mais tarde ele ia tirar leite das vacas e que se ela quisesse era só passar no estábulo. Depois que eles saíram de perto e já estavam longe da gente ela me falou: – Menina! Sabe esse homem que me falou do leite? Pois é, ele tem um filho que vou te falar viu!…afff Maria é tudo de bom!. Como assim? Eu perguntei. Ela continuou: – Ah! Ele se chama Ricardo, é meio chucro, trabalha na roça do sítio e quase não para aqui mas tem um corpo…da outra vez que eu vim aqui ele não tirava os olhos de mim e eu dele né…kkkkk…nossa! aquele peito suado sem camisa me deixou a mil!

Olhei bem pra ela e falei: – Credo! Amiga…você teria coragem de dar mole pra um cara desses? Ela segurou no meu braço e disse rindo: – O que? Ah Cinthia se ele me pega naqueles dias e eu aqui sem fazer nada, sozinha…não sei não! Acho que deixava ele me dar uma pegada! Eu então pra completar respondi: – Imagino! Mas o pai dele, apesar de tiozão, não é de se jogar fora também! Caímos na risada juntas e chegamos no tal pomar.

Pegamos algumas mexericas tipu pocã e saímos chupando…hum..estavam docinhas. Derepente vi a Márcia parar e ficar olhando lá na frente e foi só falando: – Minha mãe! Olha lá ele Cinthia! O Ricardo que te falei. Vem vindo ali com aqueles dois caras!.

Eu ri e respondi: – Deixa de ser boba garota! E daí? Deixa ele ué! Logo eles chegaram perto da gente e pararam. A Márcia tava que dava dó…não tirava os olhos do tal Ricardo que foi logo falando engraçado: – Ô moça! Tudo bem côce?. Tá passeando por aqui de novo é? E a sua famía, taí também?. Ela sem graça respondeu: – Oi! Tudo bem e você Ricardo? Vim com meu pai e a Cinthia – nessa hora ela me apresentou pro Ricardo – mas meu pai foi até a fazenda do prefeito. Nos duas estamos vindo do pomar. Fomos pegar uma mexericas…aliás está muito bonito lá né?.

Ele respondeu: – Pois é, né…eu tô fazendo o que

posso. Ah! Dexa eu apresentá meus cumpanheiros…esse aqui é o Tonho e esse outro é o Zé da Mula! Nessa hora eu disfarcei e ri dos nomes deles e do jeito do tal Ricardo apresentar eles para nós duas.

Depois eles foram andando e o Ricardo ainda falou: – Óia só…dispois a gente se vê por aí. Vô levá eles até a lagoa e logo tô lá no currá! Xau!

Quando eles já tavam bem longe eu cai na risada e a Márcia morreu de vergonha. Então falei: – Pôxa amiga, o cara até que é gostozinho mas o jeito e o cheiro dele vou te falar heim? Aliás, o tal de Tonho não tirava os olhos de mim, você viu?

Ela olhou pra mim e falou: – Ah Cinthia você é muito exigente! Credo! Você viu os braços dele? O peito todo suado, a boca dele? Vixiiii…fiquei de careta! Olhei bem pra ela e disse: – Nossa! Você tá parecendo que tá a fim de dar pra ele? Pensei que ela fosse pegar mau comigo nessa hora mas, para o meu espanto ela olhou bem pra minha cara e respondeu: – E se estiver? Ninguém tem nada com isso! Ainda mais que estamos sozinhas aqui! Nem falei mais nada e fomos caminhando de volta pra casa.

Quando estava quase perto de chegar ela me pediu: – Cinthia me faz um favor? Eu vou levar essas mexericas lá pra dentro…será que você pode ir até lá no estábulo e pegar um pouco de leite pra gente?

Claro! Respondi e fui até lá. Para o meu espanto e vergonha logo que cheguei, andando pela lateral do tal estábulo, ouvi do outro lado da parede alguém dizer: – Puta que pariu sô! Ôcê viu que rabão tem aquela menina que tá aí com a filha do patrão? Vixi santa, essa garotada de hoje incorpa rapidinho…carinha de criança e corpão de muié! E o outro respondeu: – E num é mêmo, sô? Aliás vô te falá viu…as duas são muito das gostósa isso sim! E caíram na risada, que logo virou silêncio quando eu entrei.

Fingi que não tinha ouvido nada, pedi o leite, um deles me entregou numa vasilha de alumínio fechada eu agradeci e sai. Mesmo porque estava um cheiro insuportável de estrume de vaca lá. Aff!.

Chegue na casa, entrei e fui até a cozinha onde estava a Márcia. Coloquei a vasilha na pia e contei pra ela o que tinha acontecido. Ela ficou espantada mas riu até…e depois me falou: – Amiga, agora eu vou dar uma chegadinha até o curral pra ver se vejo de novo o Ricardo, quer vir comigo?

Na hora eu olhei pra ela e disse: – Aaahhhh…não! Vai sozinha! Isso é coisa sua. Se você não se importar eu estou é muito afim de andar a cavalo. Será que um dos empregados do seu pai arruma um pra mim? De pronto ela respondeu: – Lógico! Vem comigo que no caminho do curral eu peço pra um deles preparar um cavalo pra você. Só toma cuidado e não vai muito longe, tá?.

Logo ela chamou um tal de João que veio rapidinho ao nosso encontro. Era negro, devia ter uns 40 anos. Estava sem camisa, descalço, de chapéu e com uma calça jeans toda surrada e suja. A Márcia foi logo falando pra ele: – Bom dia João! Por favor a minha amiga está afim de andar a cavalo será que você pode arranjar um pra ela? Eu não vou, é só pra ela mesmo!.

Ele tirou o chapéu, coçou a cabeça, deu uma risadinha e respondeu: – Óia Márcia os animá tão tuuudo no pasto agora. A gente só vai buscá eles bem mais a tarde pruquê é longe daqui, sabe? Mas se sua amiga não se importá eu posso selá o Jequiti que ficô no estábulo porque o Ricardo ia sai nele…o único pobrema é que ele é meio arisco.

Perguntei: – Você quer dizer que o cavalo é bravo? A Márcia foi logo respondendo: – Pois é amiga, ele estranha um pouco as pessoas. O único que ele obedece mesmo é o Ricardo. Mas nunca derrubou ninguém né João? O João confirmou balançando a cabeça e ainda falou: – É mesmo! Mas se sua amiga quisé eu posso montá com ela, ué? Ou então ela espera nóis buscá os animá de tarde no pasto e amanhã bem cedinho eu seguro um mais manso pra ela.

Eu como não estava afim de ficar sozinha, nem empatar o papo da Márcia e do tal Ricardo e doida de vontade de andar a cavalo, na hora nem pensei no que podia dar e fui falando: – Então está bem! Eu espero você João lá na varanda da casa do sítio. Pode ir buscar o cavalo ...


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